arte
 

Emilia Nadal


1938

biografia

A artista consolidou na Escola António Arroio e na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, uma formação cultural abrangente e a mestria no domínio dos meios plásticos que utiliza, uma forte componente de desenho em diálogo com a pintura que desde o início da década de 70 se tem vindo a caracterizar por um misto de classicismo e de fascínio pelos temas e abordagens da modernidade. As suas primeiras preocupações relacionam-se com a tentativa de reinventar um espaço tridimensional, regido pelas leis da perspectiva, mas invadido ao bom modo magritteano pelas imagens de um subconsciente cheio de brilhantes metáforas evocadoras não apenas das fantasias pessoais, mas, por vezes citando Bosch, de toda uma plêiade de fantasmas produzidos pelo mal-estar da civilização já diagnosticado por Freud.
As suas famosas caixas (surgidas nos anos 70) cuja presença, muito embora diluída, até hoje se mantém, marcam precisamente o espaço de uma metáfora pessoal, a de um inconsciente fértil e criador que se vai alimentando ao correr dos anos com as marcas da sociedade de consumo, chegando a transformar-se (nos anos 70 e 80) por influência pop em verdadeiras "embalagens de ideias e de imagens", ícones desmitificadores das mitologias modernas catalogadas por Roland Barthes.
Emília Nadal representa na arte contemporânea portuguesa um expoente de uma estética feminina, considerando esta não como um atributo da mulher, mas como uma vertente, a mais nobre, da sensibilidade voltada para uma interioridade musical que bem podemos associar à "anima", de que tanto e tão bem falou Gaston Bachelard. A "anima", desvelar da vertente oculta dos aspectos, luz que atravessa o rosto alado das coisas devolvendo-lhes a sua pureza e beleza originais.