arte
 

Abilio


1926-1992

biografia

Nasceu na Maia, e morreu na mesma cidade. Decerto um dos artistas mais comprometidos e, simultaneamente, dos mais livres do seu tempo, o seu vastíssimo espólio de escritor,artista plástico e mail-artist encontra-se na posse dos seus familiares, na sua cidade. Este acervo traduz-se em centenas de manuscritos, pinturas, colagens, desenhos, gravuras e outras Formas de expressão, pois trabalhava também aproveitando as possibilidades das fotocopiadoras e de materiais pobres, mesmo desperdícios. Aliás, uma das suas peças-chave, de cunho dadaísta, é a escultura Guarda-Nada. A primeira exposição de Abilio-josé data de 1952, na Galeria Divulgação, no Porto, e o primeiro livro,O Voa do Morcego, de poemas, saiu em 1962 com a chancela Livros da Sereia, também no Porto. Em 1968 interessou-se pela conjugação das possibilidades da palavra com a arte e, de algum modo ligado ao movimento da Poesia Experimental, publicou o desdobrável Lidança, a que se seguiu Carta a Vinícius, lançando, a partir daí, uma série de publicações arredada dos meios convencionais da edição, em tiragens curtas, que distribuía pêlos amigos. Os seus materiais fotocopiados tiveram momentos altos em O Bigode no Espelho, 1975-76, os Manifestas Lixarte, bem como os poemas visuais Trabalho/Liberdade, 1987, e Corporis Christi, 1991, e, neste mesmo ano, sentindo em si a doença que o destruiria poucos anos mais tarde, lançou um novo apanhado de textos panfletários designando-os conjuntamente, e com bastante humor negro, O Futuro Defunto que se Parece Comigo.
Porém, a vastíssima obra de Abilio-josé Santos, embora circulasse geralmente em círculos restritos,teve repercussão internacional e, assim, vemo-la representada na Antologia da Poesia Concreta em Portugal, organização de E, M. de Melo c [astro e José Alberto Marques |1973|, na revista norte americana Kaldron e na antologia International Poetry, organização Tercsinka Pereira, ainda neste mesmo país, na revista mexicana de poesia alternativa Postextual, na antologia de poesia experimental portuguesa Mappe deirimaginario, organização de Giancarlo [avvalo e publicada em Itália; na revista Claro-Escuro, de estudos sobre o Barroco, dirigida por Ana Hatherly, entre muitas outras representações. Obras suas saíram em dezenas de publicações marginais, ao mesmo tempo que objectos artísticos seus figuravam em exposições individuais e colectivas dentro e fora de fronteiras, nomeadamente nas galeria Alvarez, Árvore e Abel Salazar, no Porto, e na Galeria Ulmeiro, em Lisboa, bem como nos salões de Arte Moderna, e-da Primavera,na SNBA de Lisboa e nas sete partidas do Mundo. Militante íomunista, Abílio animou numerosas iniciativas do PCP. Participou e organizou exposições internacionais de Arte Postal lHait Artj, atingindo nesta área grande renome,exibindo obras suas em sítes europeus e americanos na Internet. Abíljo-José foi membro dos corpos gerentes da Associação dos jornalistas e Homens de Letras do Porto e coordenador da revista Sempre. Depois de ganhar alguns prémios literários, nos anos 60, Abílio passou a fazer ataques acerbos aos críticos de arte que quase sistematicamente, lhe recusavam a participação nas exposições onde figuravam como júri.
Realizou 2 dezenas de exposições individuais.Participou em dezenas de exposições colectivas no País e no estrangeiro,entre outras,na Quadlog-Arlington Quadro (Inglaterra,1968),Poéticas Visuais,Museu de Arte Contemporânea da Universidade de S. Paulo e XIV Bienal de S. Paulo (Brasil 1977).Premiado no Pais em gravura e pintura.Representado no Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra);Museu Municipal da Maia;Museu Municipal Dr. Santos Rocha(Figueira da Foz);Museu de Aptek (Ucrânia,URSS);Câmara Municipal da Maia;colecção Gulbenkian;Colecção de Serralves e colecções Particulares.Tem publicada obra de Poesia.